14 março 2004

Ainda sobre o Horrendo

Se alguma certeza ficou após o 11 de Setembro é que estamos em guerra! Isto é o que o Paulo Querido diz aqui num texto apaixonadamente lúcido!

- É imprescindível saber quem, como, com quem e que razões(?) invoca para aquela matança;
- É absolutamente despropositado para a investigação revelar, ao fim de 24 ou 48 horas, certezas sobre hipotéticas respostas ao ponto anterior (aliás, surge dos serviços de espionagem muita contra-informação com a finalidade de desviar as atenções dos focos de investigação ou obrigar o inimigo a agir para se mostrar);
- O que aconteceu em Madrid, ontem, a tentativa de atribuir à ETA ou à Al-Qaeda, não é mais que o produto do torpor que ainda assola aqueles cidadãos;
- Os comunicados do braço político da ETA e suas manifestações valem o que valem, isto é, nada, não são credíveis.

Diante destas, para mim, evidências restam-me alguns desabafos:

1 - A resposta mais lúcida passou certamente despercebida no meio da turbulência e frenesim jornalístico-político (Francisco José Viegas bem a enunciou) - a atitude da Grécia ao pedir formalmente à OTAN ajuda para a sua defesa durante os Jogos Olímpicos. Às vezes esquecemo-nos dos princípios que erigiram e mantêm esta aliança - a nossa defesa.

2 - Afastando eu, mais uma vez, para que não deixe dúvidas, que o que aconteceu não pode ser catalogado de direita ou esquerda - tratou-se de um massacre levado a cabo por criminosos fanáticos contra o nosso modo institucional de viver - não se pode deixar de catalogar o comportamento do Governo de Madrid e dos orgãos de comunicação social dele seguidistas, em especial a TVE, de muita falta de respeito por quem perdeu a vida e pelos que sem seus concidadãos ficaram , em especial o silêncio, o deixar que o boato se alastre, o não chamar a si a responsabilidade de acalmar o seu povo, tendo em vista um dividendo partidário. É nojento, revoltante, mas nada de diferente ao comportamento que teve no "Prestige", já nos tinha habituado. Porque não adiou as eleições? É só isto que identifica o seu nojento comportamento, não por não esclarecer o estado da investigação!

3 - Apesar de não ter estado de acordo com a invasão do Iraque nem da do Afeganistão, considero muito ligeiro estarmos, agora, a dizer que os culpados são os apoiantes dessas iniciativas, uma vez que já antes delas se praticavam este tipo de atentados.

4 - Contudo, e lá vou eu aos EEUU, é evidente que ficou agora definitivamente provado, se dúvidas ainda persistissem, é que as investidas no Afeganistão e no Iraque não colheram qualquer fruto no que diz respeito ao seu objecto - o combate ao terrorismo! Repito o que disse atrás, o combate a esta nova forma de guerrilha, sem rosto nem pátria, não se faz através de guerras ou invasões territoriais, faz-se muito mais através de serviços secretos e equipas miltares de intervenção rápida, eficaz e demolidora. Se a OTAN não estiver preparada para responder desta forma ela perde a substância da sua existência.

5 - Se estamos em guerra (e eu não tenho a mínima dúvida) embora não pelas razões que Paulo Querido adianta, não por não estar de acordo, mas por considerar que hoje o comportamento dos nossos inimigos é mesmo a total destruição das nossas instituições e, consequentemente, forma de viver, comportemo-nos como tal! Deixem para os partidos, para o Parlamento, ou para os joguinhos de poder governativos, as questiúnculas politiqueiras e jornalistiqueiras e promovam o livre pensamento de quem o consegue ter para atingirmos, todos em conjunto, uma resposta frontal, mas embuída dos princípios éticos e morais que nos enformam e identificam, contra o nosso inimigo comum - todos aqueles que praticam actos de terrorismo, fundamentalistas islámicos ou separatistas, palestinianos ou israelitas (espero que compreendam que não estou a dizer judeus ou a identificar todos os israelitas como terroristas, mas quem mata nas ruas através de disparos de helicópteros não tem outro nome). Condenemos todo e qualquer acto desta natureza e ergamos a nossa voz para dizer que não há uma razão no mundo que possa justificar estes comportamentos.

Não me parece que seja necessário, como defende Klepsidra, um pedido de desculpas por parte daqueles que se precipitaram, errar é humano, mas muito gostaria que se estabelecesse que a condenação destes actos não é uma atitude de esquerda nem de direita, é antes do mais, uma atitude ética, a de denunciar e não pactuar com criminosos.

O que escrevi foi antes de saber o resultado das eleições em Espanha, mas sempre gostaria que soubessem que se lá fosse eleitor votaria seguindo o conselho de Francisco José Viegas.