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19 outubro 2003

Pedro Roseta - finalmente

E eu? Perguntava recorrentemente e bem o Crítico pelo Ministro da Cultura em todo este vergonhoso folhetim da AMEC, mais a mais constatando a qualidade, ponderação e discricção da sua actuação na resolução de libreto anterior, o da Casa da Música, conforme tive ocasião de aplaudir uns posts atrás.

Aí está, não clamou, não vociferou, não deu alimento à tonta comunicação social, antes dentro da maior discrição chama a si a primeira tentativa séria de resolução do assunto, juntando no seu ministério representantes de todos os fundadores, exceptuando Miguel Graça Moura, e a maioria dos patrocinadores da Amec.

Defendendo que no momento actual o objectivo é “preservar a instituição e o seu projecto”, anuncia um entendimento entre os presentes, o da destituição de Miguel Graça Moura e a eleição de uma nova direcção a ocorrer em Assembleia Geral agendada para 4 de Novembro.

Num momento em que todos os envolvidos pareciam ter perdido o bom senso, onde se cometeram as mais grosseiras ilegalidades, onde unilateralmente se congelou o rendimento de mais de uma centena de famílias, dava a ideia de que os principais responsáveis pelo caos artificialmente criado, insisto, a Câmara Municipal de Lisboa, na pessoa do seu Presidente, coadjuvado pela sua Vereadora da Cultura, e Miguel Graça Moura, pareciam determinados a não ceder nem perante o desmoronamento total da AMEC, surge o único interveniente em que poderíamos depositar alguma esperança tanto pela condução do processo da Casa da Música como por sabermos ser um humanista genuinamente preocupado com a coisa da cultura nas suas vertentes, educação e manifestação.

A concretizar-se a anunciada solução cumpre não dar parabéns antes congratularmo-nos por ainda podermos contar com pessoas com a dimensão social e humana que demonstra Pedro Roseta na condução dos nossos destinos, colocando os reais interesses do homem como o totem de toda e qualquer intervenção ideológica ou política.

Nesta referida reunião todos acordaram na necessidade de escolher uma nova direcção, ou seja, como muito bem disse Pedro Roseta, “preservar a instituição e o seu projecto” para além de Graça Moura. Atente-se nas palavras do Ministro, em especial, no que concerne na preservação do projecto.
É que, se parece ser inquestionável a saída de MGM, é necessário proteger e incrementar o que de bem feito ele deixa e não, sob a capa de os ainda não provados ilícitos, se tentar inventar, recriar ou mesmo escamotear um projecto que iniciou e funciona muito bem e é exemplo do que de bem feito se pode fazer no nosso país.
Daí que, apesar de terem já surgido alguns possíveis nomes para uma futura direcção sobre os quais não me pronuncio em particular, é essencial que na nova direcção possamos encontrar gestores de competência firme e adequada à prossecução do projecto, que se sintam à vontade numa gestão global e não sectorial, capazes de abordar com à vontade a excepcional projecção que a AMEC beneficia aquém e além fronteiras. Nesta perspectiva tenho bastante receio de uma direcção contabilística, uma direcção de orquestra e de uma direcção artística / pedagógica em plano hierárquico paritário, sem uma superior coordenação de gestão global que assegure a unidade, pois está mais que descrito e comprovado ser um modelo que esbarra em vãs tentativas de valorar os respectivos sectores em detrimento de uma visão geral do projecto.
Repiso o caso da Casa da Música e relembro o bom senso do convite a Alves Monteiro, um gestor com créditos comprovados, para assegurar a unidade de gestão. Deste óptimo gestor não se houve falar nem o vêmos semanalmente nos Telejornais, ouvimos, sim, falar da Casa da Música e do seu projecto.
Registe-se em abono da verdade o mau serviço prestado pela generalidade dos orgãos de comunicação social em todo este processo RTP, SIC, TVI, Público, sendo exemplo culminante a notícia publicada na última página do “Expresso” de ontem, inniciando-se da seguinte forma:

“A NOVELA envolvendo Miguel Graça Moura e a Orquestra Metrpolitana de Lisboa chegou ontem ao fim (...)”.

A Câmara de Lisboa, nomeadamente o seu Presidente, foi sempre afastado deste enredo, querendo fazer crer ao leitor menos informado que o problema se resumiu a uma contenda entre o maestro e os músicos! Nada de mais falso, sendo muito estranho que este prestigiado semanário tivesse sempre protegido o nome de Pedro Santana Lopes deste processo e calado perante as óbvias ilegalidades cometidas pelos fundadores em prejuízo dos funcionários e prestadores de serviços da AMEC.
Revele o Ministro da Cultura a sagacidade capaz para junto dos demais fundadores e promotores defender este modelo de gestão, exactamente o mesmo que tão bem e com tão bons resultados implementou na Casa da Música.
Resta desejar, os votos de força e confiança a este Ministro que poderá ter acordado tardiamente (desconhecemos se terá sofrido pressões de sentido contrário), mas até agora foi o único que chamou a si a responsabilidade de sensatamente colocar um ponto final ao folhetim dos meninos embirrentos e de querer levar o projecto da AMEC a bom porto.