23 março 2004

Inveja ou falta de discernimento, mesmo!

Neste país, de facto, quem sobressai da mediocridade instalada é alvo dos mais vis e variados ataques. Dos invejosos, dos despeitados, dos alinhados, dos distraídos, dos mal-formados...!
Aviz retoma o assunto da propriedade da atribuição de um subsídio do ex-IPAE e do financiamento decorrente de um contrato-programa estabelecido entre Belgais e o Ministério da Educação respondendo ao Tempestade Cerebral. Diz o que é preciso dizer, apesar do que já tinha dito, corroborado pelo Liberdade de Expressão, pelo Klepsýdra e pelo Adufe e por estas Ideias Soltas.

Nada a acrescentar a não ser a estranheza com que ciclicamente o projecto Belgais é atacado, seja por afectos ao actual governo ou ao anterior! Mais uma vez se lembra que estes financiamentos não são atribuídos para concretização de um efémero evento, nem para o pagamento de vencimentos a músicos, actores os escritores, nem para "projectos nacionais de itinerância"! São atribuídos para a formação artística de jovens, acesso à qual todos deveriam beneficiar, e à formação de novos públicos para que mais tarde consigam fruir de algo mais que telenovelas ficcionadas ou "reais" e concursos televisivos. Se ao Estado cumpre um papel de proporcionar uma educação o mais abragente possível, já que por falta de rendibilidade os privados não investem, é nesta área e não no subsídio à criação ou à divulgação ou à itinerância culturais!
Eu sei que o facto de a Portugal Telecom ter decidido subsidiar apenas Belgais no que à música diz respeito grangeou muitos dissabores e eu até sou um dos que tem saudades do "Em Órbita" do Jorge Gil, mas não é atacando Maria João Pires que me dá fundamento para pugnar pelo regresso do "Em Órbita"

Mais estranho, ainda, que quem ataca Belgais e mais meia-dúzia de projectos, nada diga do que a sociedade civil gasta a pagar ordenados a mais de uma centena de actores do D. Maria dos quais mais de metade não se apresenta a público uma única vez no ano ou no que a SIC está a receber do Estado, do orçamento para o serviço público de televisão, a troco de ceder programas de qualidade duvidosa do seu arquivo para serem emitidos pela RTP África e RTP Internacional, isso sim, uma vergonha nacional!